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‘tokenização’ visa revolucionar operações de barter no Brasil

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grãos de soja com símbolo de dinheiro, impostos, reforma tributária

Foto: Pixabay

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O produtor de soja necessita de uma novidade plantadeira para semear a próxima safra. Para adquiri-la, que tal descrever com a oleaginosa recém-colhida na atual temporada e remunerar à vista? É esse tipo de protótipo de negócios que a tokenização de commodities agrícolas propõe.

Quem está avante desta espécie de evolução do barter é a startup argentina Agrotoken, que já iniciou suas operações no Brasil, com foco inicial em Mato Grosso, onde já digitalizou oito milénio toneladas de grãos. E a meta para 2023 é audaciosa: fazer o mesmo com 1 milhão de toneladas por todo o país.

O foco inicial é a soja, o milho e o trigo, mas a empresa tem planos para músculos e etanol a médio prazo. Se tudo ocorrer da maneira esperada, o produtor terá mais poder de travamento de preços e previsibilidade em suas compras.

O diretor Anderson Nacaxe, aliás, explica que, futuramente, o projecto é aproximar o consumidor generalidade do Primeiro Setor, ou seja, diante de uma perspectiva de aumento da picanha ou do álcool, pessoas comuns teriam condições de prometer o churrasco ou comprar tanques de combustível com os preços antigos e diretamente com os fornecedores. “No entanto, partiremos para esse estágio só a partir do momento em que o produtor estiver muito atendido”, salienta.

Início das operações brasileiras

bandeiras do Brasil e Argentina, fronteira

Startup argentina tem agora no Brasil o seu grande objectivo. Foto: Pixabay

Na Argentina, a startup já transformou 250 milénio toneladas de grãos em ativos digitais e oferece, inclusive, mecanismo físico para o cultor fazer suas compras com os grãos tokenizados de forma rápida e sem burocracia: um cartão bandeira Visa.

A parceria com a gigante dos cartões também será realizada no Brasil ainda em 2022, de entendimento com o executivo. “Podemos estimular muitos produtores a tokenizar os seus grãos e temos muitos deles querendo, mas precisamos, primeiramente, prometer que ele tenha onde usar porque se não estaremos criando um ativo que ele gera e não consegue fazer zero”, ressalta.

Desta forma, o objetivo é estimular a corroboração direta dos grãos tokenizados. “A parceria com a Visa é a garantia ao produtor de que mesmo que não tenha um lugar que aceite token diretamente, é provável usar o sistema em qualquer lugar que aceite cartões, sendo uma risco de crédito suplementar que se pode usar o tempo todo. Porém, nosso mundo ideal é oferecer ao produtor uma lista de lugares em que ele pode utilizar seu token diretamente em lugares que o aceitam”.

O CEO da Agrotoken, Eduardo Novillo Astrada, por sua vez, acredita que esse protótipo será interiorizado pelo cultor brasiliano com relativa facilidade.

“O produtor já pensa em grãos quando planeja uma compra. Uma picape custa tantas sacas de soja é um raciocínio generalidade. Para se ter teoria, 40% das negociações entre Brasil e Argentina são feitas por barter. O grão já atua porquê uma moeda de troca e a tokenização formaliza todo esse processo”, explica.

Adesão dos produtores à tokenização

Produtor de soja analisando lavoura. Foto: Marcelo Lara/Conduto Rústico

Falando em crédito do produtor, o diretor da empresa ressalta que os tokens agrícolas são lastreados e fungíveis, ou seja, baseados em ativos físicos, porquê a produção de soja e milho comercializada, por exemplo. Assim, diferenciam-se das criptomoeadas.

“No ato da emissão do token, a plataforma realiza uma ressarcimento em volume do montante correspondente ao lastro e ao montante em tokens do grão”, conta Nacaxe.

No entanto, para que o produtor possa fazer uso das commodities digitalizadas, é necessário que todo um ecossistema se forme. E isso inclui cooperativas, tradings e bancos, além das fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, por exemplo.

Astrada garante que as conversas estão avançadas nessa direção e que nos próximos dez anos, espera ter no Brasil 50% dos produtores com, ao menos, 40% de sua produção tokenizada.

Um token, uma tonelada

De entendimento com o diretor da startup, os tokens emitidos são equivalentes a uma tonelada de grãos. Ainda assim, o cultor tem a oportunidade de digitalizar e utilizar unicamente uma fração dessa produção. Foi isso, inclusive, o que aconteceu com um produtor de milho da Argentina que em agosto deste ano foi a uma cafeteria da rede Starbucks e adquiriu uma bebida com seu cartão em uma operação que lhe custou 0,021 tonelada do cereal.

Para a soja, o diretor da Agrotoken explica que a rossio brasileira que balizará os preços será Sorriso (MT). “Nossa plataforma identificou que se trata da rossio mais firme a variações de preço da soja no Brasil”, conta. Assim, cada commodity terá seu próprio indicador.